Mais um testemunho da importância do teatro na sociedade europeia dos últimos três séculos, onde esta arte é encarada como o divertimento absoluto (e único), os Teatros de Papel tornaram-se, a partir do século XVIII, numa das brincadeiras preferidas das crianças que o podiam fazer (estamos numa época em que brincar e jogar são privilégios exclusivos das classes sociais mais poderosas).
A colecção existente neste Museu é essencialmente constituída por um magnífico exemplar impresso na Alemanha no séc. XVIII , um excepcional conjunto de várias bocas de cena e múltiplos cenários e respectivas personagens criados e impressos pela famosa Imagerie d’Épinal, de França, todos do séc. XIX, uma boca de cena impressa em Barcelona no início do séc. XX , um teatro com boca de cena de origem polaca, também do séc. XX e o único teatro de papel de origem portuguesa, desenhado em 1947 por Fernando Bento para o livro “Dona Maria de Trazer por Casa” de Adolfo Simões Müller.
Estes teatros, impressos em papel e destinados a serem recortados e montados em cartão, ou então adquiridos já completos, depois instalados em pequenas estruturas de madeira criadas para esse efeito, para além do grande valor e interesse artístico, reproduzem na perfeição como eram os teatros propriamente ditos dando, por isso, informação precisa sobre a cenografia, os trajos de cena, a decoração teatral e o próprio ambiente da época a que se reportam. Existia mesmo uma revista francesa especializada nestas publicações chamada “Mon Théatre”, que periodicamente editava novos cenários e novas personagens, aumentando assim o reportório destes teatros de brincar.
Neles se antecedia ou prolongava, em jeito de brincadeira que envolvia a imaginação de toda a família, asexcitantes idas ao teatro, verdadeiro acontecimento social e onde, como já foi referido, dos amores trocados ou proibidos à intriga social e política, tudo se passava, muito para além do próprio espectáculo.